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Quem sou eu?

Na verdade, não sei muito bem quem sou.

Sei que sou o que sinto, do tamanho do que sinto.

Sinto-me viver vidas alheias.

Sinto as dores de quem nem está sentindo, mas eu sinto.

Sou o correr de uma lágrima, antes mesmo de chorar.

Sou um aglomerado de emoções.

Sou lamentos dos meus sofrimentos.

Sou pensamentos e pensamentos.

Sou reflexo das minhas atitudes.

Sou momento.

Sou o esquecer e o lembrar.

Sou a indagação da vida, sou ferida.

Sou o defender, o acusar.

Sou o conhecer do eu diferente.

Sou valente.

Eu sou transformação.

Sou a pessoa mais solitária do mundo,

Mas que nunca fica sozinha.

Sou a pessoa mais forte do mundo.

Mas que está sempre com medo.

Sou o exaltar das minhas realizações.

Sou mãe, sou filha, sou avó.

Sou o encontro de mim, comigo mesmo.

Sou o que sou, me orgulho muito de tudo que sou.

Enide Santos

Total












Bebeu
Soluços
Gole por gole

Ingeriu
Palavras
Letra por letra

Inalou horas
Tic e Tac

Tragou
Sons
Alfa e Ômega

Solveu
A vida
Yin-yang

Só o futuro
Devolveu.

Enide Santos 23/12/15

O último passo do destino














A terra que cobrirá meu corpo
Esta me chamando.
Espreitando-me sem cessar
Os vermes já me rondam
Como que se, minha sorte pudessem tirar.

Diante disso, vou traficando dias
vomitando de mim agonias
Cessarei assim desinibida de mim
Derramando palavras em sulcos
Adiando com versos meu fim.


A fase final das horas sorri olhando-me
Aproxima-se o cessar
Distanciam-se os sons dos meus suspiros
Não há gestação de dias
A fome do fogo da vida, saciada, chora

Murcha como flor, sem culpa
Completo minha caminhada
Deixando-me ainda aqui.

Enide Santos 29/12/15

Aquarela


















Abrindo agora a janela
Donde vejo a vida
Nova e fresca é ela
Pintura recém-nascida

Não há esboço nem trela
Só há tutela na lida
Abrindo agora a janela
Donde vejo a vida.

(di)vagar em sentinela
Imagem jamais repetida
Pintada por Deus aquarela
Fonte que nunca se finda
Abrindo agora a janela.

Enide Santos 27/12/15

Remendo de capim



















 
Agora à noitinha
Tava já escureceno
Quando de longe vi no cer
O que parecia um remendo

Tinha pontos no cer
Memo pareceno que de argodão
Través das nuvens percebi
Tinha uma muié cosendo

Seu cabelo era arvo
Pele rosada face serena
Com jeitim alinhavava
Aperfeiçoando o remendo

Quando manheceu
Pensei que tava sonhano
Mas admirave foi a cena
Do cer caiu em mim
Foias de capim
E flores de açucena.

Enide Santos 11/12/15


Mode que será?

















Mode que será
que nunca me canso do cê?
Será que é amo
 ou apenas vontade de viver?

Quanto mais tamo junto
Mais eu quero ocê.
É, memo teno medo
Acho que é vontade de viver!

Má o sor se levanta
Antes memo de manhacê
Já ta esse diacho desse medo
Quereno me corrompe.

-Mais hora essa, deixe de bestagem!!
É o que sempre me diz ocê
-Não se apoquente, pois desse má
Também sei sofre!

Num sei mode que será
Só sei que esse amo
Nunca há de se cabá.

Enide Santos 11/12/15


Deitada a beira da pedra gelada

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A beira da pedra gelada, deitada

Vestida apenas de anágua

Olhos acesos, como lamparinas

Velando a dor que a aniquila

 

Encolhendo-se em seu centro

Precisando da saudade

Dor na pele já não há mais

Só a alma que aos poucos se desfaz

 

Deitada a beira da pedra gelada

Do corpo já esquiva o calor

Em repouso o mundo deixou

Distanciando de si definhou.

 

Enide Santos 04/12/15

Escrever

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Escrever é deixar cair a voz

No abismo absoluto do ser

É desvanecer do instante

Permutar-se em pensamentos

 

Escrever é despertar a alma

Amparando-a para que se mostre

Incitando-a retratar seu lascivo tecido

Assinando assim o construir de todo seu possível

 

Escrever, escolher ditos

Para que unidos sejam sons de gritos.

É o poder de acariciar a existência

E nela imprimir razões e emoções.

Escrever é respirar com as mãos.

 

Enide Santos 01/12/15

Deambulo

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Derramando-me entre os campos e as florestas

Perfuro com fome o passado

Entre os tempos e as horas certas

 

Vou debulhando-me como flores que viram cisco

Vou reparando em tudo sem saber o que dizer

Vou vertendo-me devagar, sem prever.

 

E em cada suspiro que dou, deambulo.

 

Buscando incessantemente por ti, amor.

 

Enide Santos 20/11/15

Deambular

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Diante Do Direito De Devanear

Decidi Deletar Distâncias

Depois, Demoli Dias Difíceis.

Descortinando Duras Duvidas.

Destemida Deixei-me Divagar

Degustei Delírios Divinos

Deslumbrada, Deambulei

 

Enide Santos 20/11/15

Deambular

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Deixou pegadas sem destino

Emasculado vagueou

Alma e corpo feridos

Marionete do destino se tornou

Banido dos desejos, fora.

Usurpado sem perdão

Lápide sem inscrição é seu coração.

Abdicando de viver

Rompe o tempo sem perceber.

 

Enide Santos 16/11/15

Deambule

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Descortinando de vez a rispidez do medo

Descansa teus olhos em mim

Desvista para sempre deste adeus

Domando qualquer melancolia

Desenhe fronteiras e ilhas, deambule.

Despeje este grito trêmulo em meus ouvidos

Dando luz a sua eterna fantasia.

 

Enide Santos 20/11/15

Haikai -16


















 

Na poça do breu
Nu, sem asas deambula
A caça do amor


Enide Santos 18/11/15

Epístola 21

Filipenses

São Paulo, 01 de setembro de 2015.

 

Fragmentos de mim.

 

Enide Santos (Poções, 30 de outubro de 1968).

Decidi que não quero ir para sempre, e para isso me propus a criar o caminho que me fará permanecer, pois de alguma forma quero ficar.

Hoje tudo que tenho é tudo que sinto e é este o meu passaporte para alçar meu principal voo. A liberdade de estar depois de ir.

Para chegar onde quero preciso trespassar o tempo, necessito de conhecimento e principalmente da intimidade com o entendimento, porém jamais saberei se cheguei, mas ao menos saberão que tentei.

O que mais me é necessário hoje é que me deem amanhã, hoje convém plantar-me no futuro sem mim o qual jamais saberei se brotei.

Não quero apenas tornar-me leve e simplesmente ser levada pelos ventos, quero jazer-me em negrito ou itálico quero ser grifo.

Habita-me o conteúdo ao qual almejo aprimora-lo e intensifica-lo, para que não se desfaça facilmente.

Pretensão de minha parte? Sim, sei que sim, mas se eu não fizer por mim como poderei dizer para que façam por si se é para isso que estamos aqui!

Nascer não é apenas para viver por viver, nascer é o principio de se fazer.

Neste contexto, dedico minha vida a construção de minha morte, a sua eterna gestação de mim.

Enide Santos 01/09/2015.


















A palavra que contém em si
Tudo que sou
Tudo que almejo
Tudo que amo e odeio

Verbo que de seu ventre
Verte infindas lágrimas
E com seus risos
Afugenta minhas farpas

Termo clandestino
Sabotador de instintos
Mutila sinas
Não economiza rixas

Só estando só
Que toda a realidade olha pra mim
Descobrindo-me da ilusão
De que já ao nascer sou solidão.


Enide Santos 2608/15

Dor fresca na memória















Talvez eu não deva morrer
Como se morre qualquer ser
Talvez depois de te perder
Eu deva um pouco por vez fenecer

Talvez eu deva mesmo buscar
O maior tempo possível durar
Para que mesmo sofrendo
Tenha mais tempo para te amar

Talvez, apenas talvez.
Tudo isso seja bom
Apenas por agora
Que a dor é fresca em minha memória.

Enide Santos 02/08/15





Na ponta da língua















Estava na ponta da língua
A palavra que iria te intitular
Mas um pensamento indecente
Apossou-se de mim ferozmente
E a este nome fez mudar.

Estava na ponta da língua
Toda minha fome de beber
Toda minha sede de comer
Mas um pequeno gesto teu
Tudo mudou e todo meu corpo acendeu

Estava na ponta da língua
O resgate para o desperdício de sabor
Mas já com o corpo fervendo
As palavras foram se perdendo
Apenas entre os dentes a língua ficou.


Enide santos 31/07/15

Ah, meu amor!



















Ah, meu amor o dia amanheceu.
Não senti o teu calor.
Talvez você de mim se perdeu
E não mais tem gula
Deste meu amor.

Ah, amor meu!
Não posso saber
Que se veja em outros olhos
Que não os meus.
Que queira outra boca
Que não a minha.
Que aqueça outro corpo
Que a chame de Rainha.

Alegaste que eras meu súdito
Que apenas a mim pertencias
Ah, meu amor!
Não me puna
Não me troques por esta vadia.

Estejas sempre comigo
Serás sempre bem amado
Te prometo meu querido
Terás um lar digno
E aconchegado.

Ah, meu amor,
Que pecado terei cometido?
Talvez tenha exagerado
Em te amar mais que o merecido.

Enide Santos 21/07/15



Sê meu rei
















Sê meu rei.
Seja a fonte que nutre meus instintos
Sê meu dono, meu arrimo.

Sê meu amante, meu menino
Seja a força de meu intimo
Sê sereno e continuo.

Sê a fome da minha sede
Seja prazer e jeito de doer
Sê fisionomia do poder

Sê meu discípulo
Seja meu galante curumim
Sê meu macho, meu serafim

Sê meu rei, meu tutor
Seja a jaula de meu pudor
Sê meu homem, meu amor.

Enide Santos 11/07/15


Sabe por quê?




















Porque a suas mãos
e as formas que elas
usam para correr
o meu corpo
 inundam-me.

Porque sua boca
com seus fortes contornos
vão de encontro com minha pele
e inundam-me.

Porque os pelos de sua face
corrompem minha alma
degolam minha memória
dão cabo do meu ar
Inundam-me.

Porque ao te deglutir
emudeço minha razão
paraliso a imaginação
e inundo-te.


Enide Santos 01/07/15

Hoje pedi perdão a Deus





















Hoje pedi perdão a Deus
Pedi que me perdoasse
Por meu coração quase explodir
Sempre quando penso em ti.

Orei ao meu Senhor
Para que sempre de ti cuide
E não te afaste
Deste meu amor.

Pedi que me guie, me instrua
Ajude-me a enveredar
E em teus caminhos
Belezas hei de plantar

Deixei a minha verdade falar
Deixei-a pedir e implorar
Que em nome do Senhor
Não me permita sem ti ficar.

Ah, a humana que sou!
Infinitamente mesquinha
Imensamente sozinha
Dependendo deste teu amor

Hoje pude com clareza me ouvir
E com este som roguei
Lancei-me ao vão
E ao Senhor pedi perdão.



Enide Santos 01/07/15

Despida de ti
















Agora despida deste amor
Rumino o passado
Como um cão flagelado

Devolva-me a doçura que te dei
Não es digno de abrigar  
Nem mesmo de mencionar
As palavras que a te dediquei.

Restitua minha brandura
Com a ausência de tua figura
Afaste-se de mim
Es um abutre indigno e ruim

Distancie-se
Vá daqui
Vá para bem longe
Deixe de existir,
ao menos em mim.


Enide Santos 16/06/15

Venha comigo





















Venha comigo.
Desabe teus lábios sobre os meus
E nesta fomenta tortura
Não me firas
Não me cesses.

Venha comigo.
Deite-se em meu leito
Adormeça em meu peito
Entrega-te ao suave cheiro de meu amor
Delineia-me apossando-se de mim.

Venha...
Venha comigo!
Há em mim um abrigo
Com o solo restrito
Somente para ti

Venha não se abstenha!
Deixe-me te sorver
Destas horas insólitas
Destas floras tortas
De estes seu desvanecer

Venha meu amor
Venha deixe-me viver você.



Enide Santos 16/05/15

Adeus






















O som do adeus pulsa
Forte como a eternidade
E suas mãos escondidas
Feitas de palavras
Insistem em me abraçar

De olhos fechados
Vais escrevendo em minha alma
O instante do fim
Marcando com o som do soluço
O tamanho da dor.

 Ah, o correr inflame das lágrimas
Não cessam este pesar!
Apenas anuviam o olhar
Pactuando, ferindo ainda mais
O momento do adeus.

Ah! Adeus a tua ternura
Ao teu capricho em me amar.
Adeus aos teus sons
Ao toque de teu olhar
Adeus...
Carne do meu ar.

Enide Santos 03/06/2015

Moça bonita
















Ah, moça bonita!
Quando tu ainda
Florescias em minha sina
Lambuzava-me de tanto te olhar.

Ah, garota linda,
Que sorrisos sabes dar!
Eu não os pego
Pois não os sei aprisionar.

Mas às lembranças me entrego
Destes teus sorrisos ternos
Que aos poucos me tira o ar.

Ah, moça bonita!
Tua formosura me excita
Teu traquejo me irrita
E de cócoras faz-me ficar.

Jovem donzela
Rouba de mim grande parcela
Compreendes ser a bela
Não se inibi em tripudiar

Rapariga volátil e exibida
Que a mim apenas incita
Saboreando atormentar.

Pequena senhorita
Linda e febril
Ama saber
Que a ela sou servil.

Enide Santos 27/05/15



Minha Paixão

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O alimento da felicidade,

Iguaria que mantém a sobriedade.

Manjar da sorte da necessidade.

O sustento da minha imensidade.

 

Enche-me de melodia

Satura-me de sabedoria

Satisfaz minha alegria.

Me farta de poesia.

 

Abranda meu enleio

Adormece meu receio

Modera-me o floreio

Sossegando meu anseio.

 

Minha doce inspiração

Meu amor

Minha paixão

 

Enide Santos 01/05/15

Ambos somos felizes quando nos amamos

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Ambos somos felizes quando nos amamos

Ah, meu amor!

Ah, meu amado!

E assim:

Enxugo os olhos do riso que te dei

Toldo de horas

Com os momentos que cavei

Banho-me na sensação do teu olhar

Dou-me de presente o teu respirar

 

Ambos somos felizes quando nos amamos

Com o liquido da noite

Com o qual se banham as florestas

Eu me exibo

Eu me testo

O cio lentamente passa

Não para

Atravessa

Exala.

 

E assim:

Somos igualmente amados

Saciados um do outro

Nesta noite

Neste esboço.

 

Enide Santos 29/03/15

A peça que dentro da noite o tempo forjou.

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Hoje voltei àquela noite

sentei-me ao lado de nós.

Mal pude me conter

assim que vi você.

 

Parecia ter o mundo em tuas mãos

e o dava inteiro a mim.

Extasiada pelo momento

nada pude e nem poderia dizer

por que palavra alguma

jamais caberia ali

entre eu e você.

 

Hoje voltei àquela noite

sentei-me ao lado de nós.

O tempo parou

delicadamente, sem pressa,

fora esculpindo naquela noite

os trajes que hoje me visto.

 

Agora choro, não sei bem porque

talvez por não poder possuir

a peça que dentro da noite o tempo forjou.

 

Hoje voltei àquele momento

em que você me presenteou com uma noite.

Sem lua, sem estrelas

Uma noite de pele nua,

Tão minha

Tão tua.

 

Há ainda o eco de tua voz a dizer:

Guarde está noite

Onde apenas existe eu e você.

 

Enide Santos 26/03/15

Acordo dentro do meu sono eterno

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Acordo dentro do meu sono eterno

buscando ainda os pulsos de meu coração

vejo que minha vida não foi esperta

que fora banida de mim

Sem resgate, sem regresso

 

Ainda ontem eu tive um ontem

e não mais o terei.

não haverão mais lágrimas

nem risos

não existiram mais sons

 

Apenas respingos de mim

bordados, grafados

preto no branco

pedras, montanhas, lembranças

ódio ou amor tudo agora dorme comigo

 

Não vomito mais cólera

já não deserdo minha história.

já não acordo os meus sonhos

não os ouço mais se mordendo dentro de mim

não mais posso entreter o tempo

nem escutar o vento.

 

Não há ar

Não há dor

Nem silêncio há

Nem mesmo a solidão,

faz reivindicação.

 

É, é no instante do esquecimento,

que mais me entendo.

 

Enide Santos 07/03/15

Por que te admiras José?

 

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Por que te admiras José,

Quando falo quem tu és?

És um carpinteiro de almas

Delineador de histórias,

Fazedor de memórias.

 

Tu não sabes quem tu és, José?

Tu, dentro de ti não te podes ver.

A tua boca derriba o mal

O teu olhar espelha o matinal.

 

Oh, Jose! Por que te admiras?

Se as obras de suas mãos

Converteu-as em pão.

E por uma longa temporada

Alimentou a luz de nossa estrada.

 

Homem escultor de muleta

Esculpidor de profeta

Orientador, educador

Do nosso senhor, fora tutor.

 

Por que te admiras homem de fé

Se pelo verbo encarnado

Fora por pai adotado?

 

Enide Santos 04/03/15

No fundo do coração do tempo

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Lá no fundo do coração do tempo

Há a alma do esquecimento

Onde se ouve o choro do lamento.

Onde os passos da noite, não são insônia.

E os pesadelos dos sonhos, sonham.

 

Lá no fundo sem fundo.

Assenta o pó do tudo.

E em suas nervuras ancestrais

Arrastam-se defuntos de horas e de ais.

Calado sem soluços sem protestar

O tempo tatua em seu corpo

Cada hora que não mais voltará.

 

Rege com destreza seu estar

E estando em harmonia vê-se passar

Não faz distinção de nada

Não se importa se é caminho ou estrada

Atravessa

Corre

Cruza

Galga

Tapa a boca da vida e mais nada.

 

Enide Santos 27/02/15

Alma amputada

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Está tão longe de eu poder ser o que você quer.

Sendo assim vejo-te seguir teu caminho e deixando-me aqui.

Já começo ao acordar pela manhã dando-me consciência de que você ainda está presente em meu coração e não mais diante de meus olhos.

Antes mesmo que se vá, eu já me vou para a dor de estar sem você, já amputo a minha alma sem nada dizer.

Antes mesmo que se vá de mim, já choro a dor de sua ausência, já lamento ser passado em sua existência.

Eu também mato momentos bons, jogo fora partes de vida que normalmente não se desperdiça, pois sei o tamanho deste amor em mim, sei da dor que se o perder vou sentir.

É, é mesmo assim, é por medo de não resistir tamanha dor morando em mim, que desde já

Abasteço-me de tudo de você.

Quando te beijo, te beijo mesmo com todo o meu ser.

Quando te amo, te amo mesmo com toda minha alma antes de ela ser amputada.

 

Enide Santos 16/02/15

Recolhida no silêncio

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Esgarçadas já estão às horas

Já ceou o tempo

Já bebeu de meu pensamento

Agora sou como raiz, sem flor.

Já o cheiro do amor se foi

As frescas horas não têm mais suas labaredas

Não há mais manutenção para a ilusão

Resta-me o ranho da alma

O perene som de antigas gargalhadas

Sou fragmento dos outros que fui

Quanta vez o meus olhos sequei

E impregnada de vida, lutei!

Ai de mim...

Que sou apenas volta antes de me ir

Que já manca minha dor e cai ao chão

E no seio da absoluta

Já não mais há luta.

Já me vou, mesmo sem saber ir.

 

Enide Santos 14/02/15

Ah, Bragi tem piedade de mim!

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Ah, Bragi tem piedade de mim

arranca-me estas palavras

que tanto me consomem

e que não as consigo exprimir!

 

Ah,estes ditos!

Que não sei se são bem ou mal ditos.

Sei que estando em mim são sofridos.

 

Estes versos, verbos ou abscessos.

que se constroem sem expressão

desejando de mim total atenção.

 

Esta necessidade de gratidão

De ser um lema, um tema uma canção

De entoar na boca as batidas do coração.

 

Oh, deus da sabedoria!

Pai do encantamento da poesia

Invoca em mim a inspiração

Alivia-me desta sofreguidão.

 

Enide Santos 03/02/15

Noite de solidão desejável

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Toma-me, ó noite de solidão desejável,

Deita-me em teu solo sagrado

Leva-me onde posso ouvir os teus passos

 

Desaninhe de mim os meus ascos.

Deixe os lamentos do dia passado

Desprender-se do meu corpo cansado

 

Ó noite de solidão desejável

De suas horas sinto-me furtado

Pois a claridade já rompe os prados.

 

Há ainda na sarjeta sonhos empilhado

E minhas dores ainda precisam de emplastro

 

Ó noite de solidão desejável

Dure mais um pouco

Deixe-me recolher os meus cacos.

 

Enide Santos 05/02/15

Triste

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Todo o corpo frio

Apenas na face

O sol se poe

Um pouco por vez

 

Rouba o brilho do mar

E nesta forma agora

O vento pode levar

 

Corpo agora vazio

Vestido de tempo

Enroupado de rio

 

Segue seu curso

Rompe seus muros

Deságua seguro

 

Enide Santos 05/02/15

Releitura:

O corpo frio de tristeza e em sua face sente o calor como o do sol em forma de lágrima que por sua vez são gotas como as do mar leves para que o vento possa levar.

Sentimento de perda ainda prossegue, mas agora assume uma postura como a do rio, apenas segue

E esta fome não sacia

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Sente não ter direito

Ao menos a lagrimejar

Condenando-se pelos erros

Que em sua vida ousa causar.

 

Pobre desamparado

Do amor de si mesmo

Agora esmola a sorte

De um instante de sossego

 

Nas ruas vazias da noite

Busca por sua solidão

Pois em sua cabeça

Sons, ruídos e confusão

 

Pobre desesperado

Que a muitos magoou

Pelas drogas fora condenado

A desistir de seu amor.

 

Perdeu tudo que tinha

Vendeu tudo que conquistou

E esta fome não sacia

Tem piedade, senhor!

 

Enide Santos 04/02/15

Fim de uma saudade.

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Sangrando e calada

Ao lado, sua mala.

De mãos postas clamando

Gemendo e chorando.

 

Absoluta em antigas horas

Agora, apoia-se ao chão

Insistente implora.

Um tiquinho de compaixão.

 

E no rastro da morte

Dolorosa é sua sorte

Aguardando consumação

Eis ai, uma saudade em vão.

 

Enide Santos 27/01/15

Pode até gostar

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O pássaro pode não gostar,

do céu que tem para voar.

Pode não gostar,

do som que faz ao cantar.

E voa e canta.

 

A flor pode não gostar

da sua cor ou do solo em que está.

Pode não gostar de o sol a tocar.

de a chuva a molhar.

E perfuma e encanta.

 

A água pode querer aquietar-se.

pode não gostar de espelhar.

Pode ser que não queira se ver

Não queira se exalar se libertar.

Talvez prefira ser contida.

E molha e evapora.

 

Ele pode não gostar dele.

Pode não gostar de forjar dias,

e bramir com noites.

Pode não gostar de rasurar a vida,

Mas mora nela e a edifica.

E dorme e acorda.

 

Enide Santos 25/01/15

Não me impeças de chorar

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Não me impeças de chora

Chorar não é sinônimo de fraqueza

Sinônimo de fraqueza é covardia.

E nesta guerra diária que luto dentro de mim

 

Apenas o choro é meu refúgio

Não me impeças de chorar

Porque tenho a coragem de saber de minhas fraquezas

E que na busca para vencê-las

Danifico parte de minha alma

E só com lágrimas posso purifica-la

 

Nem se atreva a tentar me impedir de chorar

Porque és tu que não suportas

Ser a fonte de este meu prantear.

Não me iniba...

Não me detenhas...

Apenas observe e absorva.

Como uma faz uma fera para se recuperar.

 

Enide Santos 24/01/15

É preciso aprender ser só

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É preciso aprender

Ser só

Estar só

Não é o que queremos

Não é o que sonhamos

Mas se temos que passar por isso

Então façamos ser da melhor forma possível.

 

Em meus dias de ilha

Em tempos repletos de abismos

Visto a minha fragilidade do avesso

Para que a vida retorne aos meus olhos

Isso com muita sutileza

Para não ferir meu silêncio.

Careço também dele

Mas demarco fronteiras

 

Enclausuro a dor em lembranças.

E na brusquidão destes dias

Dou-me o direito de ser imensidão

Dou-me o direito der ser fenda

Para que escoe de mim

A aversão que sinto pela solidão.

 

Enide Santos 01/01/15

Para: Unknown

Epístola – 20

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São Paulo, 11 de janeiro de 2015.

Fragmentos de mim

A primeira vez que nos possuímos, foi uma experiência incrível.

Incrível mesmo, pois você não sabia, mas estava realizando alguns dos sonhos a muito desejados por mim, é por isso que faço questão que saiba o quanto fora importante.

Desde que nos conhecemos eu percebi que poderia mesmo realizar sonhos.

Poder amar você já era a realização de um sonho.

Descobri que você possui a mesma estatura que o homem dos meus sonhos.

Que os encaixes de seus braços moldam meu corpo com perfeição, idêntica aos dele.

Você exibe o mesmo tom de voz, a mesma textura na pele, o mesmo fascínio em locomover-se, a mesma forma de me olhar, banha meu corpo fitando-me.

O meu lugar preferido de todo o mundo, pertence ao homem dos meus sonhos.

É um lugar aconchegante onde me sinto protegida tanto o corpo como a alma,

e você é portador de algo semelhante.

Ao tocar-te, beijar-te, olhar-te a mesma sensação me toma o ar, igualzinho, igualzinho ao homem do meu sonhar.

Há um oásis em minha realidade que difere o meu desejo de sonhar.

Como pode na realidade não me amar, se em meus sonhos sou eu quem lhe toma o ar?

 

Enide Santos 11/01/15

Do coração da poesia

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É do coração da poesia

Que ouço os mais belos gritos.

E dos seus segredos

Colho pequenos viscos.

 

Há um oásis no tempo

Em que o verso se cria

E desta fonte de redenção

Despe-se o sentir da emoção

 

Toma-me, ó dor de poesia,

Inflama-me o corpo

Revista-o,

Soterra-o de amor.

 

Debulha este meu sofrer

Deixe-me em teus braços enternecer.

Doa-me seus rios

Infeste em mim seus brios

 

Empresta-me a tua cor

O teu semblante

O teu olor.

Resgata-me desta ilha

 

Regozija o meu falar

Apure o meu paladar.

Deixe o teu coração, ó poesia!

Com o meu orar.

 

Enide Santos 04/01/15

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