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Quem sou eu?

Na verdade, não sei muito bem quem sou.

Sei que sou o que sinto, do tamanho do que sinto.

Sinto-me viver vidas alheias.

Sinto as dores de quem nem está sentindo, mas eu sinto.

Sou o correr de uma lágrima, antes mesmo de chorar.

Sou um aglomerado de emoções.

Sou lamentos dos meus sofrimentos.

Sou pensamentos e pensamentos.

Sou reflexo das minhas atitudes.

Sou momento.

Sou o esquecer e o lembrar.

Sou a indagação da vida, sou ferida.

Sou o defender, o acusar.

Sou o conhecer do eu diferente.

Sou valente.

Eu sou transformação.

Sou a pessoa mais solitária do mundo,

Mas que nunca fica sozinha.

Sou a pessoa mais forte do mundo.

Mas que está sempre com medo.

Sou o exaltar das minhas realizações.

Sou mãe, sou filha, sou avó.

Sou o encontro de mim, comigo mesmo.

Sou o que sou, me orgulho muito de tudo que sou.

Enide Santos

No fundo do coração do tempo

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Lá no fundo do coração do tempo

Há a alma do esquecimento

Onde se ouve o choro do lamento.

Onde os passos da noite, não são insônia.

E os pesadelos dos sonhos, sonham.

 

Lá no fundo sem fundo.

Assenta o pó do tudo.

E em suas nervuras ancestrais

Arrastam-se defuntos de horas e de ais.

Calado sem soluços sem protestar

O tempo tatua em seu corpo

Cada hora que não mais voltará.

 

Rege com destreza seu estar

E estando em harmonia vê-se passar

Não faz distinção de nada

Não se importa se é caminho ou estrada

Atravessa

Corre

Cruza

Galga

Tapa a boca da vida e mais nada.

 

Enide Santos 27/02/15

Alma amputada

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Está tão longe de eu poder ser o que você quer.

Sendo assim vejo-te seguir teu caminho e deixando-me aqui.

Já começo ao acordar pela manhã dando-me consciência de que você ainda está presente em meu coração e não mais diante de meus olhos.

Antes mesmo que se vá, eu já me vou para a dor de estar sem você, já amputo a minha alma sem nada dizer.

Antes mesmo que se vá de mim, já choro a dor de sua ausência, já lamento ser passado em sua existência.

Eu também mato momentos bons, jogo fora partes de vida que normalmente não se desperdiça, pois sei o tamanho deste amor em mim, sei da dor que se o perder vou sentir.

É, é mesmo assim, é por medo de não resistir tamanha dor morando em mim, que desde já

Abasteço-me de tudo de você.

Quando te beijo, te beijo mesmo com todo o meu ser.

Quando te amo, te amo mesmo com toda minha alma antes de ela ser amputada.

 

Enide Santos 16/02/15

Recolhida no silêncio

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Esgarçadas já estão às horas

Já ceou o tempo

Já bebeu de meu pensamento

Agora sou como raiz, sem flor.

Já o cheiro do amor se foi

As frescas horas não têm mais suas labaredas

Não há mais manutenção para a ilusão

Resta-me o ranho da alma

O perene som de antigas gargalhadas

Sou fragmento dos outros que fui

Quanta vez o meus olhos sequei

E impregnada de vida, lutei!

Ai de mim...

Que sou apenas volta antes de me ir

Que já manca minha dor e cai ao chão

E no seio da absoluta

Já não mais há luta.

Já me vou, mesmo sem saber ir.

 

Enide Santos 14/02/15

Ah, Bragi tem piedade de mim!

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Ah, Bragi tem piedade de mim

arranca-me estas palavras

que tanto me consomem

e que não as consigo exprimir!

 

Ah,estes ditos!

Que não sei se são bem ou mal ditos.

Sei que estando em mim são sofridos.

 

Estes versos, verbos ou abscessos.

que se constroem sem expressão

desejando de mim total atenção.

 

Esta necessidade de gratidão

De ser um lema, um tema uma canção

De entoar na boca as batidas do coração.

 

Oh, deus da sabedoria!

Pai do encantamento da poesia

Invoca em mim a inspiração

Alivia-me desta sofreguidão.

 

Enide Santos 03/02/15

Noite de solidão desejável

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Toma-me, ó noite de solidão desejável,

Deita-me em teu solo sagrado

Leva-me onde posso ouvir os teus passos

 

Desaninhe de mim os meus ascos.

Deixe os lamentos do dia passado

Desprender-se do meu corpo cansado

 

Ó noite de solidão desejável

De suas horas sinto-me furtado

Pois a claridade já rompe os prados.

 

Há ainda na sarjeta sonhos empilhado

E minhas dores ainda precisam de emplastro

 

Ó noite de solidão desejável

Dure mais um pouco

Deixe-me recolher os meus cacos.

 

Enide Santos 05/02/15

Triste

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Todo o corpo frio

Apenas na face

O sol se poe

Um pouco por vez

 

Rouba o brilho do mar

E nesta forma agora

O vento pode levar

 

Corpo agora vazio

Vestido de tempo

Enroupado de rio

 

Segue seu curso

Rompe seus muros

Deságua seguro

 

Enide Santos 05/02/15

Releitura:

O corpo frio de tristeza e em sua face sente o calor como o do sol em forma de lágrima que por sua vez são gotas como as do mar leves para que o vento possa levar.

Sentimento de perda ainda prossegue, mas agora assume uma postura como a do rio, apenas segue

E esta fome não sacia

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Sente não ter direito

Ao menos a lagrimejar

Condenando-se pelos erros

Que em sua vida ousa causar.

 

Pobre desamparado

Do amor de si mesmo

Agora esmola a sorte

De um instante de sossego

 

Nas ruas vazias da noite

Busca por sua solidão

Pois em sua cabeça

Sons, ruídos e confusão

 

Pobre desesperado

Que a muitos magoou

Pelas drogas fora condenado

A desistir de seu amor.

 

Perdeu tudo que tinha

Vendeu tudo que conquistou

E esta fome não sacia

Tem piedade, senhor!

 

Enide Santos 04/02/15

Fim de uma saudade.

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Sangrando e calada

Ao lado, sua mala.

De mãos postas clamando

Gemendo e chorando.

 

Absoluta em antigas horas

Agora, apoia-se ao chão

Insistente implora.

Um tiquinho de compaixão.

 

E no rastro da morte

Dolorosa é sua sorte

Aguardando consumação

Eis ai, uma saudade em vão.

 

Enide Santos 27/01/15

Pode até gostar

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O pássaro pode não gostar,

do céu que tem para voar.

Pode não gostar,

do som que faz ao cantar.

E voa e canta.

 

A flor pode não gostar

da sua cor ou do solo em que está.

Pode não gostar de o sol a tocar.

de a chuva a molhar.

E perfuma e encanta.

 

A água pode querer aquietar-se.

pode não gostar de espelhar.

Pode ser que não queira se ver

Não queira se exalar se libertar.

Talvez prefira ser contida.

E molha e evapora.

 

Ele pode não gostar dele.

Pode não gostar de forjar dias,

e bramir com noites.

Pode não gostar de rasurar a vida,

Mas mora nela e a edifica.

E dorme e acorda.

 

Enide Santos 25/01/15

Não me impeças de chorar

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Não me impeças de chora

Chorar não é sinônimo de fraqueza

Sinônimo de fraqueza é covardia.

E nesta guerra diária que luto dentro de mim

 

Apenas o choro é meu refúgio

Não me impeças de chorar

Porque tenho a coragem de saber de minhas fraquezas

E que na busca para vencê-las

Danifico parte de minha alma

E só com lágrimas posso purifica-la

 

Nem se atreva a tentar me impedir de chorar

Porque és tu que não suportas

Ser a fonte de este meu prantear.

Não me iniba...

Não me detenhas...

Apenas observe e absorva.

Como uma faz uma fera para se recuperar.

 

Enide Santos 24/01/15

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