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Quem sou eu?

Na verdade, não sei muito bem quem sou.

Sei que sou o que sinto, do tamanho do que sinto.

Sinto-me viver vidas alheias.

Sinto as dores de quem nem está sentindo, mas eu sinto.

Sou o correr de uma lágrima, antes mesmo de chorar.

Sou um aglomerado de emoções.

Sou lamentos dos meus sofrimentos.

Sou pensamentos e pensamentos.

Sou reflexo das minhas atitudes.

Sou momento.

Sou o esquecer e o lembrar.

Sou a indagação da vida, sou ferida.

Sou o defender, o acusar.

Sou o conhecer do eu diferente.

Sou valente.

Eu sou transformação.

Sou a pessoa mais solitária do mundo,

Mas que nunca fica sozinha.

Sou a pessoa mais forte do mundo.

Mas que está sempre com medo.

Sou o exaltar das minhas realizações.

Sou mãe, sou filha, sou avó.

Sou o encontro de mim, comigo mesmo.

Sou o que sou, me orgulho muito de tudo que sou.

Enide Santos

Ah, Bragi tem piedade de mim!

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Ah, Bragi tem piedade de mim

arranca-me estas palavras

que tanto me consomem

e que não as consigo exprimir!

 

Ah,estes ditos!

Que não sei se são bem ou mal ditos.

Sei que estando em mim são sofridos.

 

Estes versos, verbos ou abscessos.

que se constroem sem expressão

desejando de mim total atenção.

 

Esta necessidade de gratidão

De ser um lema, um tema uma canção

De entoar na boca as batidas do coração.

 

Oh, deus da sabedoria!

Pai do encantamento da poesia

Invoca em mim a inspiração

Alivia-me desta sofreguidão.

 

Enide Santos 03/02/15

Noite de solidão desejável

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Toma-me, ó noite de solidão desejável,

Deita-me em teu solo sagrado

Leva-me onde posso ouvir os teus passos

 

Desaninhe de mim os meus ascos.

Deixe os lamentos do dia passado

Desprender-se do meu corpo cansado

 

Ó noite de solidão desejável

De suas horas sinto-me furtado

Pois a claridade já rompe os prados.

 

Há ainda na sarjeta sonhos empilhado

E minhas dores ainda precisam de emplastro

 

Ó noite de solidão desejável

Dure mais um pouco

Deixe-me recolher os meus cacos.

 

Enide Santos 05/02/15

Triste

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Todo o corpo frio

Apenas na face

O sol se poe

Um pouco por vez

 

Rouba o brilho do mar

E nesta forma agora

O vento pode levar

 

Corpo agora vazio

Vestido de tempo

Enroupado de rio

 

Segue seu curso

Rompe seus muros

Deságua seguro

 

Enide Santos 05/02/15

Releitura:

O corpo frio de tristeza e em sua face sente o calor como o do sol em forma de lágrima que por sua vez são gotas como as do mar leves para que o vento possa levar.

Sentimento de perda ainda prossegue, mas agora assume uma postura como a do rio, apenas segue

E esta fome não sacia

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Sente não ter direito

Ao menos a lagrimejar

Condenando-se pelos erros

Que em sua vida ousa causar.

 

Pobre desamparado

Do amor de si mesmo

Agora esmola a sorte

De um instante de sossego

 

Nas ruas vazias da noite

Busca por sua solidão

Pois em sua cabeça

Sons, ruídos e confusão

 

Pobre desesperado

Que a muitos magoou

Pelas drogas fora condenado

A desistir de seu amor.

 

Perdeu tudo que tinha

Vendeu tudo que conquistou

E esta fome não sacia

Tem piedade, senhor!

 

Enide Santos 04/02/15

Fim de uma saudade.

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Sangrando e calada

Ao lado, sua mala.

De mãos postas clamando

Gemendo e chorando.

 

Absoluta em antigas horas

Agora, apoia-se ao chão

Insistente implora.

Um tiquinho de compaixão.

 

E no rastro da morte

Dolorosa é sua sorte

Aguardando consumação

Eis ai, uma saudade em vão.

 

Enide Santos 27/01/15

Pode até gostar

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O pássaro pode não gostar,

do céu que tem para voar.

Pode não gostar,

do som que faz ao cantar.

E voa e canta.

 

A flor pode não gostar

da sua cor ou do solo em que está.

Pode não gostar de o sol a tocar.

de a chuva a molhar.

E perfuma e encanta.

 

A água pode querer aquietar-se.

pode não gostar de espelhar.

Pode ser que não queira se ver

Não queira se exalar se libertar.

Talvez prefira ser contida.

E molha e evapora.

 

Ele pode não gostar dele.

Pode não gostar de forjar dias,

e bramir com noites.

Pode não gostar de rasurar a vida,

Mas mora nela e a edifica.

E dorme e acorda.

 

Enide Santos 25/01/15

Não me impeças de chorar

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Não me impeças de chora

Chorar não é sinônimo de fraqueza

Sinônimo de fraqueza é covardia.

E nesta guerra diária que luto dentro de mim

 

Apenas o choro é meu refúgio

Não me impeças de chorar

Porque tenho a coragem de saber de minhas fraquezas

E que na busca para vencê-las

Danifico parte de minha alma

E só com lágrimas posso purifica-la

 

Nem se atreva a tentar me impedir de chorar

Porque és tu que não suportas

Ser a fonte de este meu prantear.

Não me iniba...

Não me detenhas...

Apenas observe e absorva.

Como uma faz uma fera para se recuperar.

 

Enide Santos 24/01/15

É preciso aprender ser só

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É preciso aprender

Ser só

Estar só

Não é o que queremos

Não é o que sonhamos

Mas se temos que passar por isso

Então façamos ser da melhor forma possível.

 

Em meus dias de ilha

Em tempos repletos de abismos

Visto a minha fragilidade do avesso

Para que a vida retorne aos meus olhos

Isso com muita sutileza

Para não ferir meu silêncio.

Careço também dele

Mas demarco fronteiras

 

Enclausuro a dor em lembranças.

E na brusquidão destes dias

Dou-me o direito de ser imensidão

Dou-me o direito der ser fenda

Para que escoe de mim

A aversão que sinto pela solidão.

 

Enide Santos 01/01/15

Para: Unknown

Epístola – 20

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São Paulo, 11 de janeiro de 2015.

Fragmentos de mim

A primeira vez que nos possuímos, foi uma experiência incrível.

Incrível mesmo, pois você não sabia, mas estava realizando alguns dos sonhos a muito desejados por mim, é por isso que faço questão que saiba o quanto fora importante.

Desde que nos conhecemos eu percebi que poderia mesmo realizar sonhos.

Poder amar você já era a realização de um sonho.

Descobri que você possui a mesma estatura que o homem dos meus sonhos.

Que os encaixes de seus braços moldam meu corpo com perfeição, idêntica aos dele.

Você exibe o mesmo tom de voz, a mesma textura na pele, o mesmo fascínio em locomover-se, a mesma forma de me olhar, banha meu corpo fitando-me.

O meu lugar preferido de todo o mundo, pertence ao homem dos meus sonhos.

É um lugar aconchegante onde me sinto protegida tanto o corpo como a alma,

e você é portador de algo semelhante.

Ao tocar-te, beijar-te, olhar-te a mesma sensação me toma o ar, igualzinho, igualzinho ao homem do meu sonhar.

Há um oásis em minha realidade que difere o meu desejo de sonhar.

Como pode na realidade não me amar, se em meus sonhos sou eu quem lhe toma o ar?

 

Enide Santos 11/01/15

Do coração da poesia

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É do coração da poesia

Que ouço os mais belos gritos.

E dos seus segredos

Colho pequenos viscos.

 

Há um oásis no tempo

Em que o verso se cria

E desta fonte de redenção

Despe-se o sentir da emoção

 

Toma-me, ó dor de poesia,

Inflama-me o corpo

Revista-o,

Soterra-o de amor.

 

Debulha este meu sofrer

Deixe-me em teus braços enternecer.

Doa-me seus rios

Infeste em mim seus brios

 

Empresta-me a tua cor

O teu semblante

O teu olor.

Resgata-me desta ilha

 

Regozija o meu falar

Apure o meu paladar.

Deixe o teu coração, ó poesia!

Com o meu orar.

 

Enide Santos 04/01/15

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