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Quem sou eu?

Na verdade, não sei muito bem quem sou.

Sei que sou o que sinto, do tamanho do que sinto.

Sinto-me viver vidas alheias.

Sinto as dores de quem nem está sentindo, mas eu sinto.

Sou o correr de uma lágrima, antes mesmo de chorar.

Sou um aglomerado de emoções.

Sou lamentos dos meus sofrimentos.

Sou pensamentos e pensamentos.

Sou reflexo das minhas atitudes.

Sou momento.

Sou o esquecer e o lembrar.

Sou a indagação da vida, sou ferida.

Sou o defender, o acusar.

Sou o conhecer do eu diferente.

Sou valente.

Eu sou transformação.

Sou a pessoa mais solitária do mundo,

Mas que nunca fica sozinha.

Sou a pessoa mais forte do mundo.

Mas que está sempre com medo.

Sou o exaltar das minhas realizações.

Sou mãe, sou filha, sou avó.

Sou o encontro de mim, comigo mesmo.

Sou o que sou, me orgulho muito de tudo que sou.

Enide Santos

Recolhida no silêncio

140

Esgarçadas já estão às horas

Já ceou o tempo

Já bebeu de meu pensamento

Agora sou como raiz, sem flor.

Já o cheiro do amor se foi

As frescas horas não têm mais suas labaredas

Não há mais manutenção para a ilusão

Resta-me o ranho da alma

O perene som de antigas gargalhadas

Sou fragmento dos outros que fui

Quanta vez o meus olhos sequei

E impregnada de vida, lutei!

Ai de mim...

Que sou apenas volta antes de me ir

Que já manca minha dor e cai ao chão

E no seio da absoluta

Já não mais há luta.

Já me vou, mesmo sem saber ir.

 

Enide Santos 14/02/15

3 comentários:

  1. Una malinconia in versi che si appoggiano al cuore...bellissima!

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  2. Bom dia, Enide.
    Linda postagem, belíssima música de fundo.

    ResponderExcluir
  3. Gostei demais... parabéns pelo poema e tá linda mesmo a música de fundo.. adorei... parabéns =D

    ResponderExcluir

É maravilhoso poder descrever sentimentos, e poder dividi-los
Agora aguardo ansiosa seus comentários.

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